A Arte de Trabalhar no Terceiro Setor: Entre o Sonho e a Realidade


1. Uma Experiência Humana Sem Igual

Trabalhar em ONGs é diferente de qualquer emprego convencional. A essência não está no lucro, mas no propósito.

  • O Diferencial: O contato humano é profundo e transforma quem faz o trabalho.

  • O Paradoxal: Embora o trabalho exija muito, o salário raramente reflete esse esforço. É uma escolha baseada na vontade de fazer a diferença e no idealismo de acreditar no próximo.

2. O Lado Obscuro das Organizações

Com o tempo e a experiência (neste caso, 10 anos de estrada), percebe-se que nem tudo é perfeito.

  • Existem instituições que se tornam "máquinas políticas" ou empresas frias (estilo "Você S/A"), perdendo a alma e tornando-se estruturas obsoletas que esquecem sua missão original.

3. A Metáfora de Dom Quixote e Sancho Pança

O autor compara o trabalhador social ao personagem Dom Quixote:

  • Dom Quixote (O Idealista): Representa aquele que luta contra as injustiças, defende os fracos e enxerga gigantes onde outros veem apenas moinhos. É a parte de nós que acredita na transformação social, custe o que custar.

  • Sancho Pança (O Realista): É o companheiro fiel que nos mantém com os pés no chão. Ele nos lembra que a luta é longa, difícil e que os recursos são escassos.

4. Os "Gigantes" do Dia a Dia

Na prática, o "cavaleiro" do Terceiro Setor enfrenta inimigos modernos:

  • Burocracia excessiva e equipamentos sucateados.

  • Serviços públicos empobrecidos.

  • Preconceitos enraizados, racismo e corrupção. Esses são os verdadeiros monstros que tentam impedir o avanço do trabalho social.

5. O Objetivo Final: Autonomia, não Dependência

O verdadeiro trabalho social não quer que a pessoa precise de ajuda para sempre. O objetivo é o acolhimento que gera autonomia. Ajudamos o outro para que ele aprenda a caminhar com as próprias pernas.


Reflexão Final: O Cérebro e a Esperança

Existe uma curiosidade científica aqui: o nosso cérebro tem dificuldade em distinguir o que é fantasia do que é realidade emocional. Se acreditarmos com força na mudança (a nossa "fantasia" de um mundo melhor), nosso cérebro processa isso como uma motivação real para agir.

Por isso, mesmo com todas as dificuldades, o convite é continuar lutando. Como diz o texto: "À luta, Sancho!" — pois não há nada de errado em seguir adiante por aquilo que se acredita.

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Completar 10 anos no Terceiro Setor é entender que a nossa maior ferramenta de trabalho é a esperança, mas o nosso combustível diário é a resiliência.

Nesta década, aprendi que trabalhar com o social é viver o equilíbrio constante entre Dom Quixote e Sancho Pança. De um lado, o idealismo de Quixote, que enxerga o potencial de mudança onde muitos veem apenas problemas. Do outro, a visão realista de Sancho, que nos ajuda a encarar a burocracia, o sucateamento e os desafios estruturais sem perder o rumo.

Ao longo dessa jornada, percebi que:

  • O lucro é humano: O retorno mais valioso não está no contracheque, mas no acolhimento que gera autonomia.

  • A missão vai além da estrutura: Nem toda ONG é perfeita, mas o impacto real acontece na ponta, na vida de quem atendemos.

  • Fazer a diferença é um ato de coragem: Lutar contra o preconceito e a desigualdade exige uma "fantasia" tão forte que o cérebro a transforma em realidade e ação.

Agradeço a cada pessoa que acolhi e a cada desafio que me moldou. Como diria o clássico: "À luta, Sancho!". Seguimos acreditando que um mundo melhor não é apenas um sonho, mas um projeto em construção. 🚀

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