Do Isolamento à Escuta: A Revolução da Saúde Mental no Brasil

 


Muita gente ainda repete a frase "terapia é coisa de louco", um pensamento que carrega o peso de um passado sombrio. Antigamente, o tratamento mental no Brasil era sinônimo de medo e exclusão. Até meados do século XX, os sanatórios e manicômios funcionavam menos como hospitais e mais como depósitos humanos. Enquanto os ricos buscavam refúgio em cidades de clima privilegiado para tratar doenças como a tuberculose, a parcela pobre da população era jogada em instituições psiquiátricas apenas para ser afastada da sociedade. Um dos exemplos mais tristes foi o Hospital Colônia de Barbacena, onde a psicologia e a psiquiatria da época foram distorcidas para servir ao "higienismo", uma ideia perigosa que tentava limpar as cidades de qualquer pessoa considerada "anormal", baseando-se muitas vezes em preconceitos de raça e classe.
Essa realidade brutal, detalhada no livro-reportagem "Holocausto Brasileiro" de Daniela Arbex, só começou a mudar de verdade com o Movimento Antimanicomial. O grande grito de liberdade aconteceu em 1987, na cidade de Bauru, onde profissionais da saúde mental decidiram que ninguém deveria ser privado de sua dignidade para ser tratado. Com o lema "por uma sociedade sem manicômios", eles denunciaram a "indústria da loucura" e abriram caminho para que o cuidado passasse a ser humanizado, feito em liberdade e dentro da comunidade, respeitando os direitos fundamentais de cada cidadão.
Chegando a 2026, a psicologia vive uma era completamente nova e muito mais acolhedora. Hoje, entende-se que cuidar da mente não é sobre "consertar alguém que está quebrado", mas sim promover bem-estar e resiliência. A ciência moderna reconhece que o sofrimento humano não vem apenas de dentro da pessoa, mas também do impacto do racismo, do machismo e das dificuldades financeiras. Com o apoio da tecnologia, como a tele psicologia e a inteligência artificial, o acesso ao suporte psicológico tornou-se mais democrático e ágil. A grande diferença é que, enquanto no passado o psicólogo era alguém que impunha ordens para ajustar o sujeito ao sistema, hoje ele é um parceiro que utiliza a escuta ética e a palavra para ajudar cada indivíduo a encontrar seu próprio caminho em um mundo complexo. Se antigamente o destino era o silêncio dos muros, hoje o foco é a voz e a liberdade.

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