O Risco de Agir: Por que a Frustração Dói Menos Quando nos Responsabilizamos?
Muitas pessoas buscam o consultório psicológico para desabafar sobre os infortúnios da vida e as dificuldades em seus relacionamentos. Frequentemente, essas queixas surgem de comportamentos e decisões que elas tomaram, seja em relação a si mesmas ou no trato com os outros. Para entender por que algumas pessoas sofrem mais do que outras diante de um problema, podemos olhar para a forma como cada um lida com as consequências de suas escolhas.
Imagine, por exemplo, alguém que decide comprar um presente caríssimo para a namorada, mas ela acaba rejeitando o gesto. Esse mesmo indivíduo lembra que, no início do namoro, tinha dúvidas se ela era a pessoa certa, mas acabou cedendo à pressão dos amigos e começou a relação apressadamente. Se esse paciente consegue olhar para a situação e admitir que a escolha foi dele — tanto a de namorar quanto a de dar o presente — ele sentirá a frustração, mas o peso emocional será suportável. Isso acontece porque ele "bancou" sua decisão: ele aceitou o risco de que as coisas poderiam não sair como o planejado e compreendeu que todo ato tem um efeito colateral. Ao assumir a responsabilidade, ele transforma a frustração em um aprendizado consciente, o que traz um alívio interno, pois ele não se sente mais um refém do destino, mas o autor da própria história.
Por outro lado, existe um perfil de sofrimento muito mais intenso, que ocorre quando a pessoa age esperando que o mundo funcione exatamente como ela deseja. É como um jogador de cassino que aposta tudo tendo a certeza absoluta da vitória, ignorando completamente a possibilidade da perda. Quando o resultado é negativo, a frustração é devastadora porque não houve uma preparação para o erro ou para a rejeição. Nesses casos, o indivíduo não se responsabiliza pelo "efeito colateral" de suas ações; ele acredita que, por ter tido uma "boa intenção" ou por ter feito algo que considerava correto, o sucesso era obrigatório.
O grande problema surge quando não se avalia o risco: mesmo ações consideradas boas podem gerar resultados inesperados, e se a pessoa não estiver disposta a assumir as consequências de suas escolhas, ela acabará se sentindo injustiçada e vitimizada. O amadurecimento emocional, portanto, nasce da capacidade de entender que agir envolve sempre um risco, e que a verdadeira liberdade consiste em decidir algo e estar pronto para lidar com o que vier em seguida, sem buscar culpados externos para os resultados que não saíram como o esperado.


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