Vítimas da Própria Generosidade: O Ciclo da Frustração
Imagine um senhor de idade sob o sol forte do meio-dia, o suor encharcando suas roupas enquanto ele faz o esforço exaustivo de carregar cestas básicas pesadas para seu carro. Alguém observa aquela cena e, movido por um impulso de solidariedade, decide ajudar a carregar as últimas cestas para que o idoso possa finalmente descansar no frescor do ar-condicionado. Após o término da tarefa, o senhor entra no veículo e parte sem dizer uma única palavra de gratidão.
Diante desse silêncio, abrem-se dois caminhos sobre como entender a caridade e as nossas emoções. No primeiro cenário, quem ajudou sente-se profundamente ofendido, rotula o senhor como alguém mal-educado e se sente mal, revelando que, no fundo, sua boa ação estava condicionada a uma "indenização" em forma de agradecimento. No segundo cenário, a pessoa sente a mesma satisfação do dever cumprido, independentemente da reação do outro, porque sua alegria está no ato de ajudar, e não no reconhecimento que viria depois.
Essa história ilustra com clareza a raiz de muitos esgotamentos mentais que vemos hoje. Muitas vezes, acreditamos estar praticando o bem de forma desinteressada, mas, sem perceber, projetamos no outro a obrigação de nos validar. Quando essa gratidão não vem, o resultado é um "desbotamento" emocional: a pessoa sente-se azarada, injustiçada e sofre em silêncio, achando que a vida é ingrata com ela.
Essa história ilustra com clareza a raiz de muitos esgotamentos mentais que vemos hoje. Muitas vezes, acreditamos estar praticando o bem de forma desinteressada, mas, sem perceber, projetamos no outro a obrigação de nos validar. Quando essa gratidão não vem, o resultado é um "desbotamento" emocional: a pessoa sente-se azarada, injustiçada e sofre em silêncio, achando que a vida é ingrata com ela.
Na verdade, esse cansaço extremo surge porque ela se doou esperando uma troca que nunca foi combinada. Por outro lado, aquele que ajuda "bancando" sua própria decisão entende que o elogio é apenas um bônus, não o combustível. Essa pessoa assume a responsabilidade pela sua generosidade desde o momento em que decide agir, aceitando o risco de não ser notada.


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