Por que o seu filho precisa 'matar' o vilão para não se tornar um adulto explosivo


 

Quando uma criança brinca de forma intensa — como ao desmembrar um boneco "vilão" ou ao fingir que atira com uma "arminha" de brinquedo no pai ou no gato — ela está fazendo muito mais do que apenas se divertir. Na verdade, ela está usando o faz de conta como uma válvula de escape para emoções difíceis, como a raiva por ter levado um castigo ou a frustração de algo que não saiu como ela queria. Esse comportamento, chamado de brincadeira lúdico-agressiva, funciona como um ensaio emocional: a criança descarrega suas tensões internas nos objetos para não precisar explodir na vida real.
Embora o primeiro impulso dos adultos seja dar uma bronca para proteger o brinquedo ou por não gostar de ver o filho "atirando" em alguém, os especialistas explicam que essa agressividade faz parte de um desenvolvimento saudável. O segredo está na mediação: desde que a criança não machuque a si mesma, a outras pessoas ou animais, esse "teatro" da violência ajuda o cérebro dela a organizar sentimentos que ela ainda não sabe explicar com palavras. Ao permitir que ela refine essa forma de soltar a frustração sob supervisão, estamos ajudando-a a construir uma base emocional sólida para o futuro.
Se esse processo de aprendizado na infância for bem-sucedido, o adulto desenvolve o que a psicanálise chama de sublimação. Esse é um mecanismo de defesa considerado "maduro" porque, em vez de a pessoa agir por impulso ou de forma destrutiva quando está sob pressão, ela consegue redirecionar essa energia inaceitável para algo positivo e valorizado pela sociedade. É por isso que muitos adultos descarregam o estresse do trabalho em um treino pesado de luta, na pintura de um quadro ou em um hobby desafiador; eles aprenderam a transformar o "brincar de brigar" da infância na capacidade de criar e produzir algo construtivo na vida adulta.

Comentários

Postagens mais visitadas