O Dilema da Adolescência: Crianças em Corpos de Adultos



A adolescência é uma fase confusa para todos. O jovem já não se sente mais uma criança, mas o seu cérebro e as suas emoções ainda estão em pleno desenvolvimento. É um período de "tentativa e erro".

1. A Autonomia por Conveniência

O adolescente vive um fenômeno curioso: ele quer ser adulto para o que é bom (ter liberdade, sair, decidir), mas volta a ser criança quando as coisas dão errado (precisa de colo, dinheiro ou que alguém resolva seus problemas).

  • O comportamento: Ele assume riscos e toma decisões irresponsáveis, mas, quando a conta chega, ele corre para o abrigo da família para se esconder das consequências.

2. O Perigo de "Passar o Pano"

É natural que os pais queiram proteger seus filhos, mas "amenizar" demais os erros pode ser um caminho perigoso.

  • A Cobertura: Se o adolescente sente que sempre terá os pais para "limpar sua bagunça", ele entende que pode ser irresponsável sem sofrer danos. Isso aumenta as chances de erros maiores no futuro.

  • O Desafio de Limites: Desafiar regras faz parte da construção da identidade. O jovem está testando quem ele é.

3. A Importância de Pontuar o Erro

A orientação da família deve ser firme e acontecer no momento certo. Não se trata de ser cruel, mas de não deixar o erro "passar em branco". Veja dois exemplos:

  • O Copo Quebrado: O adolescente quebra algo na casa de um amigo. O pai traz um copo novo para repor.

  • A Gripe após a Festa: A mãe cuida do filho que ficou doente após passar a noite toda no frio de uma festa.

Nesses casos, o acolhimento (repor o copo ou dar o remédio) deve vir acompanhado de uma conversa séria. Se o pai repõe o objeto sem dizer nada, o filho não entende o valor da responsabilidade. Se a mãe cuida da gripe sem pontuar a imprudência, o filho não aprende sobre o autocuidado.

4. Construindo Valores

O papel dos pais é validar as experiências do jovem — tanto as boas quanto as ruins.

  • Tudo o que o adolescente vive serve para formar sua personalidade.

  • O segredo está em atribuir valor. Se ele errou, precisa entender o porquê. Se acertou, precisa saber por que aquilo foi positivo.


Conclusão

Orientar de forma severa ou firme não é falta de amor; pelo contrário, é o que prepara o jovem para o "mundo real". Acolher é necessário, mas deixar que o filho sinta o peso de suas escolhas é o que o transforma em um adulto responsável.

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