O Caso Estamira: A Terapia é para Todos?
Muitas vezes acreditamos que a psicologia serve para "consertar" pessoas que pensam de um jeito diferente ou que vivem em condições difíceis. Mas a história de Estamira nos ensina que a resposta é mais complexa.
1. Quem foi Estamira?
Estamira foi uma mulher que viveu em um lixão no Rio de Janeiro. Ela tinha um transtorno mental claro, mas também era uma filósofa do seu próprio mundo. Ela falava sobre o lixo, a sociedade e a vida com uma profundidade que desafiava a lógica comum. Mesmo vivendo em condições que consideraríamos terríveis, ela encontrou uma forma de "se resolver" dentro da sua própria mente.
2. A Pergunta de Ouro: Ela precisava de tratamento?
A pergunta feita no congresso foi simples e profunda: “Estamira não precisa de psicoterapia, precisa?” A resposta da especialista foi não.
O motivo: Estamira não sentia "sofrimento psíquico".
A auto-resolução: Naquelas histórias e visões que ela criava, ela mesma encontrava sentido para sua vida. Para ela, não havia nada a ser "curado", mesmo que para a sociedade ela parecesse "louca".
3. O "Querer" como Motor da Terapia
A psicoterapia só funciona de verdade quando existe uma necessidade individual.
O exemplo do casal: Se um casal vai para a terapia, mas um deles não quer estar lá, o processo trava.
O "Esvaziar o Copo": Algumas pessoas vão às sessões apenas para desabafar superficialmente, sem realmente querer mergulhar em suas questões ou mudar. Sem o desejo real de mudança, a terapia vira apenas uma conversa comum.
4. O Mito da Terapia Obrigatória para Psicólogos
Antigamente (e ainda hoje), muitos professores diziam que todo estudante de psicologia precisa fazer terapia para não misturar seus problemas com os dos pacientes (o que chamamos de contratransferência). O autor do texto questiona isso: se a pessoa não sente necessidade ou não tem questões que a incomodam no momento, obrigá-la a fazer terapia vai contra o princípio básico da psicologia: o sentido individual.
5. Loucura ou Perspectiva?
Existem muitas pessoas como Estamira por aí. Elas vivem de um jeito que incomoda o "senso comum" da sociedade, mas elas mesmas estão em paz com sua realidade.
O que para nós é loucura, para o indivíduo pode ser a sua forma de sobrevivência.
Outras pessoas, porém, vivem como "bombas-relógio": estão sofrendo, mas esperam algo grave acontecer para finalmente buscarem ajuda.
Conclusão
A terapia não é uma regra imposta de fora para dentro. Ela só faz sentido quando a pessoa sente que algo dentro de si precisa de um novo significado.
O importante não é como o mundo vê você, mas se a sua forma de viver faz sentido para você mesmo.


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