A Infância Sob Pressão: Estresse, Sintomas e o Papel dos Pais
1. A Criança "Executiva" e a Fadiga Precoce
Antigamente, o amadurecimento seguia um ritmo natural. Hoje, tudo é precoce.
Agenda Lotada: Muitas crianças vivem como adultos, com excesso de atividades, cursos e obrigações.
O Resultado: Isso gera uma fadiga emocional. A criança fica tão esgotada que não consegue colocar em palavras o que sente ou o que a frustra.
2. A Terceirização do Cuidado
Devido à vida agitada, muitos pais têm horários restritos com os filhos (apenas em viagens ou festas). Com isso, a orientação emocional acaba sendo feita por:
Terceiros: Babás e instrutores que nem sempre têm o vínculo necessário.
Telas: Celulares, games e TV. Embora a tecnologia tenha potencial, ela não substitui o desenvolvimento humano se não houver um adulto para mediar, colocar regras e refletir junto com a criança.
3. Sinais de Alerta: Quando o "Grito" é no Comportamento
Se a criança não tem ajuda para processar suas emoções (o que a psicanálise chama de sublimação), o incômodo sai através de comportamentos:
Agressividade ou falta de concentração.
Regressões: Voltar a fazer xixi na cama ou medo excessivo (como precisar dormir de luz acesa).
Dificuldades Escolares: Problemas de aprendizagem e de interação social.
4. O Perigo dos "Rótulos" Precoces
Hoje, existe uma tendência perigosa de problematizar e diagnosticar crianças sem exames clínicos.
Diagnósticos de Google: Pessoas próximas ou profissionais despreparados começam a chamar qualquer comportamento atípico de TDAH, Autismo ou Dislexia sem uma avaliação real.
Os dois extremos: Há pais que rotulam os filhos "a bel-prazer" e outros que ignoram sinais graves, evitando procurar ajuda profissional.
5. O Medo da Terapia: Fracasso ou Parceria?
Para muitos pais, levar o filho ao psicólogo soa como um atestado de fracasso. Eles sentem que falharam na criação.
A Mudança de Visão: Ir à terapia não é admitir erro, é buscar uma parceria.
O Objetivo: O psicólogo acolhe a família para que, juntos, entendam a criança e a ajudem a superar seus obstáculos.
Resumo para Reflexão
Sintomas não são necessariamente doenças; às vezes são apenas pedidos de socorro contra uma rotina sufocante. Antes de rotular, é preciso mediar e acolher.


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