O Fim do "Homem não Chora" e o Início da Felicidade Forçada


Antigamente, era comum ouvirmos que "homem não chora" diante de um tombo ou de uma dor, mas hoje parece que levamos essa repressão a um nível ainda mais profundo e perigoso. Vivemos como se fôssemos robôs programados para a autossuficiência, capazes de perder um braço mecânico e continuar caminhando com um sorriso no rosto, como se nada tivesse acontecido. 

Acabamos robotizando nossa fé, nossos medos e até nossas crises, tentando "hackear" a própria mente para exibir uma felicidade diária ininterrupta. Nessa busca por soluções rápidas, tentamos superar nossas dores copiando a experiência alheia, esquecendo que, embora o exemplo do outro possa ajudar, cada pessoa precisa construir seus próprios alicerces dentro da sua realidade e da sua história de vida.

O problema é que, quando não cultivamos nossos próprios recursos internos para lidar com o sofrimento, passamos a agir no automático. Em vez de sentirmos e processarmos o que nos acontece, buscamos fórmulas prontas que prometem otimizar e acelerar a cura de nossas angústias. 

É aqui que entram os grandes "doutores" da modernidade: Google, YouTube e as infinitas postagens de redes sociais repletas de frases de efeito e imagens de superação. Essas ferramentas muitas vezes funcionam como uma espécie de adestramento para nossas frustrações, criando escapes e fugas que nos afastam do que realmente importa: o encontro sincero com nossa própria fragilidade humana.

Para que possamos realmente amadurecer, precisamos entender que a crise é necessária. É no momento da dor que temos a chance de um diálogo verdadeiro com nós mesmos, sem o barulho ensurdecedor das redes sociais que nos dizem a todo momento como devemos nos sentir ou agir. 

Usar as mídias sociais como único parâmetro de vida é como tentar se enxergar em um espelho embaçado; ficamos cada vez mais distantes de quem realmente somos. Superar a robotização dos sentimentos significa aceitar que não somos máquinas de felicidade, mas seres humanos que tropeçam e que, sim, precisam de tempo e de espaço para sentir e entender as próprias feridas antes de tentar curá-las.

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