Muito além do desabafo: O que você precisa saber sobre as sessões de psicologia


1. O Início: O "Santo Batendo"

Após combinar valores e horários, começam as sessões. O ponto mais importante aqui é a afinidade.

  • O cliente também avalia: Nas primeiras sessões, é normal você observar se sente confiança no profissional. Essa conexão (chamada de vínculo) precisa fluir.

  • Liberdade de escolha: Se você não sentir empatia ou "clima", você tem todo o direito de falar e buscar outro profissional. O psicólogo ético entenderá que isso é normal e não tentará te "prender" ao serviço.

2. Desabafar vs. Fazer Terapia

Muitas vezes, "esvaziamos o copo" conversando com amigos, cabeleireiros ou vizinhos. Isso traz um alívio imediato, mas tem limitações:

  • O risco do conselho: Amigos usam o "bom senso" ou frases prontas (estilo mensagens de WhatsApp). O problema é que o que serviu para eles pode não servir para você.

  • O julgamento: Pessoas conhecidas podem julgar suas atitudes ou dar opiniões baseadas nos valores delas, e não nos seus.

3. A Ferramenta do Psicólogo: A Escuta Clínica

Diferente de uma conversa comum, o psicólogo usa a escuta clínica:

  • Sem julgamento: Ele não está ali para dizer se você é "bom" ou "mau", mas para te ajudar a entender seus próprios significados.

  • Neutralidade: O objetivo é que você desenvolva autonomia para tomar suas próprias decisões, e não que siga as ideias do terapeuta.

4. O Que Você Diz e o Que Você Sente (Manifesto vs. Latente)

Na terapia, a conversa costuma ter duas camadas:

  1. Conteúdo Manifesto: É o que você conta de forma superficial, como se estivesse conversando com um amigo.

  2. Conteúdo Latente: Com o tempo e a confiança, você começa a revelar o que está "escondido": as angústias reais, os segredos e as feridas profundas que você não mostra para ninguém. É aqui que a verdadeira mudança acontece.

5. O Uso de Testes (Como o Rorschach ou Pfister)

Alguns psicólogos usam testes de personalidade. Ao contrário dos testes de RH (que servem para contratar ou não), na terapia eles servem como um mapa:

  • Eles ajudam o profissional a entender como você lida com as emoções e quais são suas "ferramentas internas" para enfrentar problemas. Isso ajuda o terapeuta a saber como conduzir a sessão de forma mais segura para você.

6. O Tempo da Terapia

Não existe uma data certa para terminar. O processo depende do ritmo de cada pessoa e da complexidade dos problemas. A terapia não é uma "cura mágica", mas um processo de reaprender a olhar para si mesmo.


Conclusão

Um bom psicólogo nunca para de estudar e se atualizar. A terapia é um espaço para você "arejar" a vida, rever padrões antigos e, finalmente, retomar o controle dos seus rumos, deixando para trás aquela angústia que te impedia de escolher.

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