O Passado no Presente: Abrindo a "Caixa de Pandora" da Nossa Mente


 Muitas vezes, quando falamos de um problema atual na terapia, acabamos percebendo que ele é muito parecido com algo doloroso que vivemos na infância ou adolescência. É como se o passado estivesse "visitando" o presente.

1. Guardar ou Enfrentar?

Existem dois caminhos principais para lidar com memórias traumáticas:

  • O Baú (Caixa de Pandora): Você decide guardar a dor lá no fundo do subconsciente. O problema é que isso gera "efeitos colaterais". Pequenos fatos do dia a dia funcionam como gatilhos, trazendo à tona toda aquela miséria, inveja ou tristeza guardada.

  • Ressignificar: É olhar para o que aconteceu e dar um novo sentido àquela história.

Curiosidade: Na mitologia, a Caixa de Pandora continha todos os males do mundo, mas também guardava a esperança. Na terapia, a esperança é o desejo do paciente de encontrar a cura para suas feridas.

2. As Barreiras da Sociedade

Ressignificar não é fácil porque vivemos em uma sociedade cheia de preconceitos. Dizem que "homem não chora" ou que a mulher deve agir de certa forma. Essas regras sociais nos impedem de refletir com calma sobre nossas emoções, fazendo com que a gente ignore nossa própria dor para "andar na linha".

3. A Importância do Vínculo e da Vontade

Para a terapia funcionar, duas coisas são essenciais:

  1. O Querer: A pessoa precisa desejar o processo. Um exemplo claro são dependentes químicos internados à força; sem a vontade própria e o vínculo com os profissionais, muitos retornam ao vício logo após saírem da clínica.

  2. A Conexão: É preciso que o paciente confie no psicólogo. Sem esse "clima" de parceria, o trabalho não flui.

4. O Passado Não é o seu Dono

A terapia ajuda você a olhar para o passado sem julgamentos ("isso foi minha culpa" ou "eu mereci isso").

  • Outra Perspectiva: Você percebe que o passado não precisa ditar as regras da sua vida hoje.

  • As Sequelas como Aprendizado: Embora o passado tenha deixado marcas, ele também nos moldou. Graças às nossas vivências, hoje podemos ser pessoas mais atentas, que valorizam a própria qualidade de vida e o autocuidado.


Conclusão

O objetivo final não é apagar o que passou, mas garantir que o passado seja apenas uma página do seu livro, e não o autor da sua história atual. Celebrar quem você se tornou, apesar das dores, é o passo mais vital.

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