O Ciclo da Idealização Amorosa: Por que Sofremos no Início?

 


1. O Início Avassalador

Muitas vezes, começamos um relacionamento com uma entrega total. É uma paixão tão intensa que parece "sufocar", mas que nos faz ignorar qualquer defeito do outro. O problema é que, com o tempo, essa intensidade do parceiro diminui e ficamos sem entender o que "fizemos de errado".

2. O Erro da Reciprocidade Imaginária

Nós nos doamos demais esperando receber exatamente a mesma moeda, mesmo sem conhecer a pessoa direito. Criamos uma expectativa irreal: projetamos no outro a imagem do "par ideal" e tentamos moldá-lo à nossa fantasia.

O controle disfarçado: Quando idealizamos alguém, estamos, no fundo, tentando controlar a situação para que ela se encaixe no que desejamos.

3. A "Regra dos 30%": O Equilíbrio Necessário

Para evitar a frustração, o ideal seria agir com pé no chão. Na prática:

  • Se o outro investe 30%, invista 30%. Isso ajusta sua expectativa à realidade e evita o sentimento de injustiça.

  • Cuidado com os 100%: Se alguém chega com intensidade total logo de cara, desconfie. Muita intensidade no início também pode ser uma forma de controle ou uma tentativa de moldar você a um desejo fantasioso dela.

4. A Armadilha da Culpa Individual

Quando o relacionamento não flui, quem idealiza demais costuma assumir toda a culpa pelo "fracasso". Esse sentimento é, na verdade, um reflexo do ego: como a expectativa era só sua (individualista), você sente que o erro também foi só seu.

5. O Papel da Terapia e o Mundo Moderno

  • Terapia: Ajuda a enxergar a situação por outros ângulos. É o espaço para entender que sua "intensidade" pode ser uma tentativa de preencher vazios antigos (familiares ou de autoestima), tentando ser o "salvador" da relação.

  • Mídias Sociais: Vivemos em um mundo de recompensas imediatas e imagens perfeitas. Isso nos vicia em querer o "amor perfeito" de forma rápida e sem esforço, como se fosse um produto de vitrine.


Resumo para Reflexão

Relacionamentos saudáveis exigem reflexão constante. Embora analisar demais pareça "tirar a magia" do mistério, é essa consciência que nos protege de ciclos de dor e nos permite construir algo real, em vez de vivermos apaixonados por uma versão que nós mesmos inventamos.

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