O Doador Extremista: Por que nos doamos até o esgotamento?

 

1. O Limite entre Generosidade e Autodestruição

Doar-se exige equilíbrio. Existe um ponto onde a entrega deixa de ser um gesto nobre e passa a comprometer a saúde física e emocional.

  • O erro do excesso: Algumas pessoas investem no outro aquilo que já nem têm mais para si mesmas.

  • Altruísmo vs. Extremismo: Não confunda ser uma pessoa boa com ser uma pessoa que se anula. O verdadeiro altruísta ajuda sem se destruir; o extremista se coloca em risco.

2. A Fuga do Próprio "Jardim"

Por que é mais fácil cuidar do outro do que de si mesmo?

  • Olhar para dentro dói: Nossas "sombras" são como jardins mal cuidados, cheios de ervas daninhas. Dá muito trabalho arar e cultivar o próprio interior.

  • O conselho como fuga: É muito mais simples (e menos doloroso) dar orientações para a vida alheia do que encarar a bagunça da nossa própria casa mental.

3. A Manutenção do Ego através do Outro

Em alguns casos, a doação excessiva serve para alimentar o Ego.

  • Dependência de elogios: O indivíduo não se valida sozinho; ele precisa que o outro o veja como "maravilhoso", "generoso" ou "essencial" para se sentir alguém de valor.

  • Nota importante: Isso não é necessariamente baixa autoestima, mas sim uma necessidade de afirmação externa constante para manter a própria convicção.

4. O Controle Disfarçado de Cuidado

Muitas vezes, dedicar-se intensamente a alguém é uma forma velada de controle.

  • A "Dívida" Emocional: Ao fazer tudo pelo outro, eu espero (mesmo que inconscientemente) que ele siga as minhas vontades e gostos.

  • Os Bastidores: É fundamental analisar: eu estou doando porque o outro precisa, ou estou doando para que o outro fique "preso" à minha forma de viver?

5. A Doação como "Trabalho Comunitário" para a Culpa

Algumas pessoas vivem em uma prisão mental onde são, ao mesmo tempo, o réu, o promotor e o juiz que se condena.

  • A Sentença Eterna: Por não se perdoarem por erros do passado, elas usam a doação intensa como uma forma de "pagar a pena".

  • O Detento da Marcenaria: Assim como um preso fabrica móveis para reduzir sua angústia, o doador extremista tenta "salvar o mundo" para tentar aliviar a culpa de um crime que ele mesmo se imputou. Não há absolvição, apenas trabalho forçado para tentar compensar o que sente que fez de errado.


Conclusão: O Caminho da Mudança

O ser humano é complexo e essas hipóteses mostram que nem todo ato de carinho é o que parece ser. Essas reflexões só são úteis para quem percebe que o hábito de se doar sem limites está gerando fadiga, angústia e ansiedade.

Mudar requer coragem para admitir: "Eu estou cuidando do outro para não ter que cuidar de mim?"

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