O Preço das Nossas Escolhas: Uma Reflexão sobre Carreira e Vida Pessoal

 


Imagine um executivo de sucesso: excelente formação, carreira sólida e um salário invejável de R$ 50.000. Recentemente, ele alcançou o que muitos chamariam de "topo": uma vaga em uma área promissora de uma grande empresa. No entanto, por trás do crachá de prestígio, havia um homem angustiado, vivendo à base de calmantes e cada vez mais distante da esposa e das filhas.

O Desequilíbrio da Balança

No início, ele via o excesso de trabalho e a pressão constante do chefe como um "sacrifício honroso". Ele acreditava que aguentar a tempestade traria a vitória final. Mas a conta chegou:

  • O Ganho: Sucesso profissional e alto salário.

  • A Perda: Abandono do lar, críticas da família e esgotamento mental.

A balança estava desequilibrada. O trabalho era um fardo pesado demais que impedia a convivência com quem ele amava.

O Conceito do "Efeito Colateral"

Na terapia, trabalhamos uma ideia fundamental: não existe necessariamente uma escolha certa ou errada, mas toda escolha tem um "efeito colateral".

Para entender melhor, pense nestes exemplos:

  1. Pais superprotetores: Eles mimam os filhos para evitar que sofram. O objetivo é bom (amor), mas o efeito colateral costuma ser a criação de filhos narcisistas, que não sabem lidar com frustrações.

  2. Bens materiais: Alguém que compra um carro de luxo fez sacrifícios para economizar. O efeito colateral de ter o carro foi deixar de viajar ou consumir outras coisas no passado.

A Memória Escondida pelo Desejo

Durante o processo, o paciente teve dificuldade de lembrar da sua entrevista de emprego. Com o tempo, a verdade apareceu: ele foi avisado. A empresa deixou claro que o cargo seria exaustivo e cheio de problemas.

Por que ele esqueceu do aviso? Porque o brilho do salário alto "ofuscou" a realidade. Ele aceitou o bônus, mas tentou ignorar o ônus.

A Conclusão: Assumir as Consequências

Após refletir profundamente, o executivo tomou uma decisão: buscou um novo caminho onde o ganho financeiro era menor, mas a qualidade de vida era maior.

O aprendizado principal dessa história é que viver exige responsabilidade. Geralmente, as pessoas buscam terapia porque têm dificuldade em aceitar o "lado sombra" das escolhas que fizeram.

A pergunta que fica não é o que você quer ganhar, mas sim: você está disposto a arcar com os efeitos colaterais da sua decisão?

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