O Relacionamento Feudal: Você é Parceiro ou Súdito?



No período Feudal, o súdito (vassalo) jurava fidelidade absoluta ao senhor feudal (suserano). Em troca de proteção, o vassalo entregava sua liberdade e obedecia a todas as ordens. Em 2026, muitos relacionamentos amorosos ainda funcionam exatamente assim.
1. O Acordo Desigual
Nesta dinâmica, uma das partes assume o papel de Rei e a outra o de Súdito:
  • O Súdito: Entrega tudo — cuida da casa, das contas, do transporte e do lazer do outro. O seu maior medo é o abandono, e ele acredita que, sendo "perfeito" e servil, garantirá a fidelidade do parceiro.
  • O Rei: Dita as regras e recebe os benefícios. Ele não se esforça na relação; oferece apenas o mínimo (um aceno, uma palavra seca) para manter o outro sob controle.
2. O Sofrimento do Vassalo
Viver como um súdito gera um desgaste emocional imenso. O paciente apresenta:
  • Depressão e Ansiedade: O medo constante de não agradar o "soberano".
  • Paranoia: O Rei demora a responder ou age com indiferença, alimentando as suspeitas e o desespero do Súdito.
  • Desbotamento Social: A pessoa perde sua identidade e vive apenas para servir ao castelo do outro.
3. A Ruptura e a Barganha
Quando o relacionamento acaba, as reações são opostas:
  • O Rei não sofre emocionalmente: Ele perdeu um "servidor", não um amor. Ele sente falta das facilidades (comida pronta, contas pagas), por isso tenta barganhar ou fazer um gesto sentimental apenas para recuperar os privilégios.
  • O Súdito fica devastado: Ele perdeu seu propósito de vida e se sente culpado pelo fim.
4. O Papel da Terapia: Descer do Castelo
O processo terapêutico para quem vive uma relação assim é longo e doloroso, pois a pessoa está "viciada" em servir.
  • Desintoxicação: O objetivo é fazer o paciente entender que ele é igual ao parceiro, não inferior.
  • Lidar com a Culpa: O paciente muitas vezes se sente envergonhado por não conseguir sair da relação. Na terapia, ele aprende que essa "cobrança" de ser forte o tempo todo é uma pressão da sociedade, e não uma falha dele.
  • Ressignificação: Às vezes, o paciente transforma o ex-parceiro em um "amigo" ou "amor platônico" como uma forma de transição (uma ponte) para não sentir o choque da perda total de uma vez.
5. A Ponta do Iceberg
A dor da separação é apenas o começo. O verdadeiro trabalho na terapia não é falar do "Rei", mas sim olhar para o Súdito:
  • Por que ele não se sente digno de ser tratado como igual?
  • Quais traumas de infância o fizeram acreditar que ele precisa "servir" para ser amado?
  • O que ele está tentando preencher no outro que falta em si mesmo?
Resumo didático: Um relacionamento saudável é uma parceria entre iguais, não uma monarquia. Se você precisa ser um súdito para manter alguém ao seu lado, você não está em um romance, está em um contrato de servidão. A terapia ajuda você a retomar sua própria coroa e entender que não precisa de um "lorde" para ser completo.

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