O Amor não é um Eletrodoméstico: A Diferença entre Necessidade e Conexão
Todos nós, em momentos de fragilidade, sentimos uma necessidade profunda de carinho, de um abraço ou de alguém a quem possamos chamar de "meu amor". Às vezes, o apoio de amigos e família não basta; queremos aquela pessoa especial para partilhar nossas intimidades mais profundas.
No entanto, a forma como lidamos com esse desejo pode seguir caminhos bem diferentes:
1. A Máscara da Autossuficiência
Quando não estamos em um momento de fragilidade, é comum assumirmos uma postura de "não preciso de ninguém". Criamos explicações racionais para nossas atitudes egoístas, mas, no fundo, essas desculpas servem apenas para convencer a nós mesmos. Temos dificuldade em refletir honestamente sobre como estamos tratando os outros.
2. O Bombardeio do Mundo Externo
Vivemos em uma sociedade que incentiva o egoísmo e nos bombardeia com padrões de comportamento no trabalho, na família e entre amigos. Muitas vezes, não usamos nossos filtros internos para barrar essas exigências. Acabamos aceitando conceitos prontos do mundo exterior e passamos a agir de forma prática e fria, sem questionar se aquilo é o que realmente queremos ou acreditamos.
3. O Amor como "Contrato de Serviço"
Quando perdemos a capacidade de filtrar essas influências, o amor deixa de ser uma construção emocional e vira uma necessidade prática. A relação passa a funcionar como um contrato de prestação de serviços:
- A Troca Comercial: "Eu te dou um presente se você fizer isso por mim" ou "Eu te levo para almoçar se você me der aquilo".
- A Metáfora do Aspirador de Pó: Algumas pessoas tratam o parceiro como um aspirador de pó. Ele é útil quando a casa está suja (quando a pessoa está carente ou com problemas), mas, assim que a "sujeira" emocional é limpa, o parceiro é guardado no armário. Ele só serve para o momento da necessidade; depois, deve ficar escondido para não atrapalhar a "beleza" da vida individualista.
4. A Falsa Autossuficiência
Nesse modelo, as pessoas se tornam "autossuficientes", mas de uma forma vazia. Elas não querem subir os degraus difíceis da construção de um amor real, que exige paciência e doação. Elas preferem a praticidade de usar o outro apenas para satisfação própria.
Resumo didático: O amor verdadeiro rejeita a lógica da utilidade. Tratar alguém como um "serviço" ou um "objeto" que se guarda no armário pode trazer um alívio temporário para a carência, mas nunca trará a plenitude de uma relação real. O desafio é limpar a sujeira do nosso egoísmo antes de tentarmos "aspirar" o mundo com a ajuda de alguém.


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