Terapia não é conselho: Por que a constância é o que traz a cura
Muitas pessoas procuram o psicólogo buscando uma "luz no fim do túnel" ou um acolhimento imediato. No entanto, existe um perfil de paciente que acaba sabotando o próprio tratamento sem perceber.
1. O erro da terapia "quando eu quero"
É comum que alguns pacientes tentem controlar o processo, faltando às sessões ou marcando encontros com intervalos muito longos (uma vez por mês ou a cada dois meses).
- A consequência: Isso quebra a corrente de evolução. A terapia é como uma construção: cada sessão é um tijolo. Se você demora muito entre um encontro e outro, a "massa seca" e o entendimento se perde. O paciente acaba voltando sempre com a mesma queixa inicial, sem sair do lugar.
2. Psicólogo não é conselheiro
Quando o paciente vem apenas uma vez por mês, ele geralmente não quer fazer terapia, ele quer aconselhamento.
- O "Conselho do Amigo": Ele busca uma resposta pronta, como se estivesse conversando com um motorista de Uber ou um cabeleireiro.
- Fuga da Responsabilidade: Na psicologia, entendemos que quem busca apenas um conselho está tentando transferir a responsabilidade. Se o conselho der errado, a culpa é do psicólogo. Se der certo, ele não precisou refletir sobre suas próprias escolhas.
3. O alívio passageiro vs. A mudança real
Esse paciente usa a sessão para "desabafar" e aliviar a angústia momentânea. Ele sai da sessão se sentindo melhor, mas não resolve a causa do problema.
- O Ciclo: Ele vive bem por algumas semanas até que a angústia bate novamente; só então ele marca outra sessão. É um ciclo de "apagar incêndios", não de mudança de vida.
4. O papel do profissional
Para esses pacientes, não há remissão (cura ou melhora duradoura). Eles até entendem suas falhas, mas usam a terapia esporádica como uma fuga da realidade.
- A intervenção: Um psicólogo experiente percebe esse mecanismo de defesa. O profissional não pode aceitar o papel de "conselheiro" por muito tempo, pois isso reforça a dependência e a imaturidade do paciente.
- Contratransferência: Tecnicamente, o psicólogo precisa estar atento para não cair no jogo do paciente e acabar se tornando exatamente aquilo que o paciente quer (um dador de ordens), em vez de ser quem o ajuda a crescer.
Resumo didático: Terapia exige ritmo e compromisso. Ir ao psicólogo apenas quando "o calo aperta" serve para desabafar, mas não serve para transformar. O conselho ajuda por um dia; a terapia ajuda pela vida toda.


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