Fazer Terapia vs. Estar em Processo de Mudança
Muitas pessoas acreditam que apenas o fato de sentar na frente de um psicólogo garante uma mudança automática. As redes sociais criam a ilusão de que a terapia é um processo leve e fluido, mas a realidade é mais complexa.
1. O Desafio de se Abrir
Para quem nunca fez terapia, o início é desconfortável. É comum sentir ansiedade sobre como falar ou medo de ser julgado. Por isso, o paciente costuma:
- Filtrar o que diz: Relata apenas o que considera importante (muitas vezes de forma resumida).
- Evitar contradições: Inconscientemente, ele esconde partes da história para não ter que encarar suas próprias falhas ou mudar de opinião.
- Resistência: Nem sempre o paciente está pronto para aceitar as interpretações do profissional ou rever seus paradigmas.
2. Cada Pessoa tem seu Próprio Relógio
Não existe um "prazo de validade" para a cura. Comparar o seu progresso com o de outra pessoa é um erro, pois:
- Sua história é única: Cada indivíduo tem uma construção de vida diferente.
- Ansiedade pelo padrão: Tentar se encaixar em um "ritmo esperado" de melhora só gera mais angústia e trava o processo.
3. A Pressão Externa: A Metáfora da Corda
Muitas vezes, a pressão não vem do paciente, mas de fora: família, cônjuge ou trabalho exigem soluções rápidas.
- O conflito: O paciente sente que precisa tomar uma atitude urgente, mas ainda não se sente pronto internamente.
- A brincadeira de pular corda: Imagine que você está esperando o momento certo para entrar em uma corda que gira rápido. O mundo lá fora (quem segura a corda) está perdendo a paciência e gritando para você pular, mas o seu tempo interno de segurança é outro.
Resumo didático: Estar na sessão é o primeiro passo, mas o processo real de mudança acontece quando o paciente consegue alinhar seu tempo interno com a coragem de olhar para o que dói. A pressão externa pode apressar a ação, mas nem sempre respeita o tempo necessário para uma mudança verdadeira e duradoura.


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